Divulgação (Foto: Reprodução)
Empresária agredida pelo ex-namorado relata dificuldade para
registrar denúncia em Deam de Porto Seguro
Ela se deparou com a limitação de horário da unidade policial,
que encerra suas atividades às 18h, apesar do ideal ser o atendimento 24h
Vítima
de violência doméstica, a empresária Elda Dório* relatou ao Metro1 o
descaso que sofreu quando se dirigiu à Deam (Delegacia Especializada de
Atendimento à Mulher) de Porto Seguro, no Sul da Bahia, para denunciar uma
agressão cometida pelo ex-namorado. Ao tentar formalizar a denúncia, ela se
deparou com a limitação de horário da unidade policial, que encerra suas
atividades às 18h, apesar do ideal ser o atendimento 24h.
“É um absurdo, eu e outras mulheres temos a porta fechada na
cara, precisamos recorrer à uma máquina, ir atrás do atendimento virtual para
tratar situações desta gravidade”, afirmou.
Retrocesso
Em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou
a Lei 14.541/23, que determina o funcionamento ininterrupto das Deam. A medida,
entretanto, não é cumprida na Bahia, já que a Polícia Civil extinguiu plantões
presenciais de 24h das delegacias especializadas.
Para a professora de Direito Processual Penal da Universidade
Federal da Bahia (Ufba), Daniela Portugal, a extinção dos plantões presenciais
representa “um grande retrocesso, no que diz respeito à proteção de mulheres em
situação de violência”.
“É muito comum que a violência aconteça justamente nos horários
em que o plantão presencial atenderia: madrugadas, finais de semana, períodos
festivos, momentos principalmente associados às bebidas alcoólicas, quando a
gente tem um índice maior de ocorrências. Daí a necessidade desses
estabelecimentos estarem funcionando presencialmente para atender as mulheres”,
defendeu a advogada.
Ainda sobre a eficiência do atendimento oferecido pelas Deams,
Daniela Portugal ressaltou que as regiões do interior enfrentam desafios ainda
mais significativos do que as capitais, pela falta de recursos.
"Praticamente não temos Deams no interior, nós temos núcleos, mas eles não
têm a mesma complexidade estrutural que delegacias especializadas”, afirmou.
Procurada pelo Metro1,
a Polícia Civil reconheceu que o atendimento em Porto Seguro não é o ideal, mas
que a ampliação está em “fase de planejamento”. A corporação ainda explicou
que, apesar das delegacias especializadas não funcionarem de forma presencial
por 24h, a PC dispõe de uma Delegacia Virtual, onde se pode registrar
ocorrências relacionadas à Lei Maria da Penha, quando não necessitar de exames
periciais.
Perícia
médica
Elda Dório falou ainda sobre os desafios enfrentados ao tentar
realizar um exame de lesão corporal. De acordo com ela, o médico legista que a
atendeu veio de Eunápolis para prestar o serviço, mas limitou-se a apenas duas
horas de atendimento. A vítima relatou a presença de várias crianças e mulheres
na sala de atendimento, muitas das quais não teriam conseguido ser atendidas.
Em nota enviada ao Metro1,
o Departamento de Polícia Técnica (DPT) disse que o médico estava de plantão na
Coordenadoria de Eunápolis e foi atender a demanda na Regional de Porto Seguro
para que as pessoas não precisassem se deslocar.
“Reconhecemos a necessidade de recompor o efetivo, e por conta
disso está em fase de realização dos exames pré-admissionais, o Concurso
Público da Polícia Técnica”, informou.
*A
reportagem do Metro1 decidiu usar nome fictício para
preservar a vítima, que ainda tem sofrido ameaças do ex-namorado