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TSE confirma ilegalidade de gravações feitas em ambientes privados
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou hoje
(21), por maioria, o entendimento de que é ilegal o uso de gravações feitas em
ambientes privados, sem conhecimento do outro e sem prévia autorização
judicial, como prova de ilícitos eleitorais.
O reconhecimento por parte da corte se deu durante o julgamento de um
caso sobre prática de abuso do poder econômico e compra de votos, nas eleições
de 2016, pelo candidato a vereador do município de São Pedro da Água Branca
(MA) Marcelo Pereira da Silva (PMDB) e pela esposa dele, Dorica Munique Balbino
da Silva.
Os dois foram acusados de entregar nota de compra de material de
construção a um eleitor e doar R$ 2 mil para a festa de formatura de uma turma
de técnicos de enfermagem. As provas foram obtidas com base
em gravação ambiental em recinto fechado, sem o reconhecimento dos gravados.
As gravações foram consideradas lícitas pelo Tribunal Regional Eleitoral
do Maranhão (TRE-MA). Mas, ao retomar nesta quinta-feira o julgamento de
recurso da defesa contra acórdão do TRE, a maioria dos ministros firmou
entendimento contrário.
Por quatro votos a três foi vencido o entendimento do relator ministro
Luís Roberto Barroso, de que as provas seriam lícitas. Também foram vencidos os
ministros Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e Edson Fachin. A maioria acompanhou
a divergência aberta por Alexandre de Morais, que considerou as provas como
ilícitas. Votaram com Morais os ministros Luís Felipe Salomão, Sérgio Banhos e
Mauro Campbell.
Com a decisão a corte reafirmou o entendimento aplicado em
outros dois casos, nas cidades de São José de Safira (MG) e Santa Inês (PR),
quando gravações sem o conhecimento dos interlocutores e em ambiente privado
foram usadas para condenar políticos. O relator dos dois casos foi Alexandre de
Morais.
“Foram três gravações realizadas nesses termos, sendo que em duas delas
não se sabe sequer quem gravou os diálogos, o que caracteriza quase uma
interceptação, uma violação ao sigilo telefônico”, justificou o ministro Luís
Felipe Salomão ao acompanhar o entendimento de Morais.
O novo entendimento muda a jurisprudência da corte, aplicada em 2019, e
que, até então, considerava como legal esse tipo de prova nas eleições de 2016.
Até então, o tribunal julgou 28 casos. Em 22 deles, o TSE considerou a prova
lícita.